Fórum de discussão HIFA sobre os Agentes Comunitários de Saúde: Semana 2 (1)

8 July, 2019

Estimados amigos do HIFA:

Contribuindo para a discussão e aproveitando para socializar um artigo recém publicado sobre mortalidade entre crianças menores de 5 anos em Moçambique.

Entramos em contato com os autores para saber se há alguma perspectiva de tradução do artigo em português e também se eles podem apresentar para o HIFA-PT a perspectiva deles sobre a importância das descobertas para as autoridades de Moçambique.

Penso que este artigo, contribui muito para o a pergunta do debate.

:: como esses critérios se relacionam com a pratica no seu país/experiência?

:: acredita que esses critérios são implementáveis no seu país/experiência?

E com a Recomendação 1A da OMS

A OMS sugere usar os seguintes critérios para selecionar ACS para pré-capacitação no serviço

:: nível educacional mínimo que é apropriado para a tarefa que será desempenhada

:: engajamento e bom entrosamento na comunidade em que servirá:: habilidades pessoais, capacidades, valores e experiência de vida e profissional dos candidatos (habilidades, integridade, motivação, habilidades interpessoais, compromisso demonstrado de servir à comunidade)

Certeza da evidência - muito baixa. Força da recomendação - condicional

ARTIGO

Barriers on the pathway to survival for children dying from treatable illnesses in Inhambane province, Mozambique

Karin Källander, Helen Counihan, Teresa Cerveau, Francisco Mbofana

JOGH 2019; 9: 010809

Disponivel em: <http://www.jogh.org/documents/issue201901/jogh-09-010809.pdf>

[tradução livre e não oficial preparada o objetivo de disseminação da informação via fórum HIFA-PT].

Resumo:

Panorama: Moçambique tem uma das mais elevadas taxas de mortalidade de menores de cinco anos no mundo. Os trabalhadores comunitários de saúde são acionados para aumentar o acesso ao cuidado dessa população. Em Moçambique, são conhecidos como agentes polivalentes elementares (APEs). Este estudo objetivou investigar as mortes infantis em uma área atendida pelos APEs, analisando as causas, os padrões de procura de cuidados e a influência do capital social.

Métodos: Cuidadores de crianças menores de cinco anos que morreram em 2015 na província de Inhambane, Moçambique, foram entrevistados usando ferramentas de autópsia verbal/autópsia social (AV/AS) com um módulo de capital social. Os dados de AV foram analisados utilizando-se a ferramenta analítica da OMS InterVA para determinar a causa da morte. A AS foi analisada utilizando o quadro INDEPTH AS para doenças com duração não superior a três semanas. Os escores de capital social também foram calculados.

Resultados: 117 óbitos infantis foram relatados; AV/AS foi conduzido para 115. Dentre esses, 85 foram em decorrência de uma doença aguda que durou não mais de três semanas, que na maioria dos casos poderia ter sido tratada em nível comunitário; 50,6% morreram de malária, 11,8% de HIV/AIDS e 9,4% para cada diarreia e infecções respiratórias agudas. Em 35,3% o cuidador só percebeu que a criança estava doente quando os sintomas de doença muito grave se manifestaram. Uma em cada quatro crianças nunca saiu de casa antes de morrer. 16 crianças foram primeiro levadas para um APE; destas 7 tinham sinais de doença muito grave. Os cuidadores que esperaram buscar atendimento até a doença ser muito severa apresentaram menor escore de capital social. O tempo médio de viagem para ir para o APE foi 2h50m, que não era diferente de qualquer outro provedor. A maioria recebeu o tratamento do APE, três foram referenciados. A maioria foi para outro prestador após atendimento com um APE; mais especificamente um centro de saúde.

Conclusões: As principais causas de morte em crianças menores de cinco anos podem ser detectadas, tratadas ou referenciadas pelos APEs. O atraso maior para procura de atendimento ocorreu ainda em casa, em sua maioria, dada a falta do reconhecimento adiantado da doença e da tomada de decisão. O baixo capital social, a distância aos APEs e aos estabelecimentos de referência (centros de saúde) contribuem provavelmente a esses atrasos. A consciência crescente da doença pelo cuidador é urgentemente necessária, assim como ligações mais fortes com os estabelecimentos de referência. Deve ser realizada uma revisão da cobertura geográfica e do escopo do trabalho dos APEs.

Saudações,

Eliane Santos

Moderadora HIFA-PT